Estatísticas APAV | Pessoas Refugiadas Vítimas de Crime e Violência | 2021-2025

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulga as Estatísticas APAV | Pessoas Refugiadas Vítimas de Crime e Violência | 2021-2025, que retratam a realidade das pessoas refugiadas apoiadas pela Associação ao longo dos últimos cinco anos.

Entre 2021 e 2025, a APAV apoiou 169 pessoas refugiadas vítimas de crime e violência, correspondendo a 349 crimes e outras formas de violência. Os dados revelam um aumento de 287,5% no número de vítimas apoiadas entre 2021 e 2025.

Estes números refletem a realidade de pessoas que foram forçadas a abandonar os seus países de origem e a procurar proteção noutro país devido a um receio fundado de perseguição ou à impossibilidade de beneficiarem da proteção do seu Estado de origem. Os dados revelam que, mesmo após encontrarem refúgio, muitas continuam a enfrentar situações de crime e violência.

A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (71%), seguindo-se as vítimas do sexo masculino (27,2%). Em termos etários, destacam-se as pessoas adultas entre os 18 e os 64 anos (40,8%) e as crianças e jovens até aos 17 anos (39,1%). Relativamente à nacionalidade, predominam vítimas de origem europeia (78,7%), destacando-se as pessoas refugiadas de nacionalidade ucraniana, que representam 69,2% do total de vítimas refugiadas apoiadas pela APAV ao longo destes cinco anos.

No que respeita aos crimes e formas de violência registados, a violência doméstica assume um peso particularmente expressivo, representando 81,4% do total das situações sinalizadas à APAV. Seguem-se a violência sexual (4,6%), as ofensas à integridade física (2,3%), a ameaça ou coação (2%) e a difamação ou injúria (2%).

A maioria das pessoas agressoras identificadas era do sexo masculino (67,6%). Quanto à relação com a vítima, destacam-se as situações em que a pessoa agressora mantinha uma relação familiar ou de intimidade com a vítima, nomeadamente madrasta ou padrasto (34,7%) e cônjuge (12,4%).

Os dados revelam igualmente que 58,6% das vítimas não apresentou queixa ou denúncia às autoridades, enquanto apenas 28,4% o fez.

As estatísticas agora divulgadas lembram que o percurso de uma pessoa refugiada não termina quando atravessa uma fronteira em busca de proteção. Para muitas destas vítimas, a violência continua a fazer parte da sua realidade, mesmo após terem deixado para trás contextos de perseguição, insegurança ou privação de direitos.

Garantir proteção não significa apenas acolher. Significa também assegurar que quem procura segurança encontra condições para viver livre de violência e com acesso efetivo aos seus direitos.

A APAV presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, dias úteis das 8h às 23h), do Chatbot APAV, disponível online 24 horas por dia, 7 dias por semana, e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.

Consulte aqui o documento:

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