• O terrorismo é hoje um fenómeno muito conhecido, sobretudo através da difusão massiva e repetida das notícias veiculadas pelos órgãos de Comunicação Social. Foi deste modo que, após os recentes atos terroristas em Estados-Membros da União Europeia, o terrorismo se tornou um problema mais acutilante na consciência daqueles cidadãos europeus cujos Estados-Membros não têm, felizmente, um historial tão intenso de atos terroristas.

    Para definirmos o terrorismo tendo em conta uma perspetiva das vítimas, podemos distinguir entre terrorismo direcionado e terrorismo indiscriminado.

    terrorismo direcionado tem como alvo vítimas escolhidas, apontadas por uma razão precisa: ou porque convém o seu aniquilamento a uma determinada organização terrorista; ou porque constituem um grupo cuja destruição pode ser vista como mensagem, como símbolo, pela sociedade (por exemplo, um grupo de pacifistas, ou um grupo político), procurando intimidar a comunidade ou um grupo específico, ou coagir determinadas decisões políticas. 

    terrorismo indiscriminado atinge qualquer pessoa que esteja “no lugar errado, à hora errada”, isto é, as vítimas são pessoas dizimadas por um ato terrorista sem terem qualquer relação com o terrorismo (por exemplo, uma multidão num estádio desportivo; um grupo de passageiros no metropolitano; os habitantes de um edifício atingido por um avião desviado por um terrorista suicida.


  • As tipologias do terrorismo apresentam diferentes faces do mesmo problema:

    • terrorismo por motivos religiosos;
    • terrorismo de ala esquerda e de ala direita;
    • terrorismo étnico ou nacionalista;
    • terrorismo separatista;
    • terrorismo por motivos singulares.


    Pode ser de uma só fase, caracterizada por um ato pontual, de curta duração (por exemplo, disparo ou explosão); ou de duas fases, implicando atos simultâneos ou sequenciais (por exemplo, raptos, tomada de reféns, entre outros).

    A variação dos tipos e das formas, e a sua complexidade, tornam difícil qualquer discurso que procure apresentar uma visão geral do problema.


    Ainda assim, estes atos têm como objetivo:

    • Intimidar gravemente uma população;
    • Constranger indevidamente os poderes políticos, ou uma organização internacional, a praticar ou a abster-se de praticar qualquer ato;
    • Desestabilizar gravemente ou destruir as estruturas fundamentais políticas, económicas ou sociais de um país, ou de uma organização internacional:
      - Ofensas contra a vida de uma pessoa, que lhe possam causar a morte;
      - Ofensas graves contra a integridade física de uma pessoa;
      - O rapto ou a tomada de reféns, entre outros.

  • O terrorismo produz efeitos psicológicos na sociedade enquanto “grande alvo” gerando o terror na sociedade e tendo a capacidade de criar medo e de terrificar as pessoas.

    Para além das consequências de atos terroristas ao nível da integridade física, resultando, em muitos casos, em graves ferimentos, mutilação de membros, incapacidade, profunda alteração da saúde, as vítimas sofrem diversos efeitos.


    Os principais efeitos são:

    • Consequências ao nível psicológico semelhantes às que são sofridas por outras vítimas de crime, mas de grande magnitude. Muitas vítimas de terrorismo sofrem sobretudo da Perturbação Pós-Stress Traumático (PPTS). Após um acontecimento desta natureza, muitas vítimas apresentam sintomas, tais como: ter a sensação de estar a reviver o acontecimento; pensamentos indesejados, intrusivos e repetitivos; hiper-excitação; entorpecimento emocional; e evitamento de estímulos que possam recordar aquela experiência traumática.
    • Consequências ao nível emocional/Perda de Entes Amados/Luto . Os atos terroristas têm uma elevada taxa de mortalidade. Esta realidade corresponde ao sofrimento de muitas mais pessoas além das próprias vítimas: aquelas que perderam os seus entes amados, familiares ou amigos mortos pelo terrorismo. A perda de um ente amado que morreu é para muitas pessoas o acontecimento mais trágico das suas vidas.
    • Consequências ao nível económico-social . Tem sido demonstrada a ampla perda material e o prejuízo financeiro causado na vida de muitas vítimas de terrorismo. Muitas vítimas vêm alteradas ou frustradas as suas fontes de rendimento, bem como são forçadas a abdicar das suas profissões – que eram fonte de realização pessoal – por sofrerem incapacidade parcial ou permanente, ou, por outro lado, por terem que se mudar de região, ou mesmo de país,em busca de maior segurança. Estas consequências têm não só implicações nas vidas das vítimas e das suas famílias.

  • Com a proliferação de ataques terroristas pelo mundo, especialmente na Europa, passou a haver mais probabilidade de ter cidadãos de nacionalidade portuguesa vítimas de atentados terroristas. Se foi vítima de um atentado terrorista no estrangeiro:

    • - Entre em contacto com a embaixada ou consulado de Portugal no país onde decorreu o atentado e identifique-se enquanto vítima. Normalmente, os países fazem a contagem de nacionais envolvidos e podem apoiar ou informar as vítimas, familiares e amigos, desde que seja conhecido quem são e que estiveram envolvidos no evento.
    • - Se não tiver ficado ferido, veja se no local do atentado ou imediações está a ser prestado apoio psicossocial e/ou apoio à vítima. estes apoios, normalmente práticos, emocionais e psicológicos de intervenção em crise são uma boa ajuda para orientá-los para as próximas horas ou dias. É normal que na ocorrência de um evento as pessoas queiram sair do local o mais depressa possível, mas é importante ficar com os contactos de como pode solicitar apoio, caso venha mais tarde a necessitar.
    • - A APAV pode prestar apoio tal como é mencionado aqui: Foi vítima ou tem um familiar que tenha sido vitima de um homicídio no estrangeiro?
    • - Pode entrar em contacto, do estrangeiro, com a APAV, através do email: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. ou através do número: +351 21 358 79 00.