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Voluntariado

Voluntariado na APAV

O Técnico de Apoio à Vítima Voluntário


O Técnico de Apoio à Vítima Voluntário (TAVV) com um vínculo de compromisso voluntário e, portanto, gratuito, à Associação presta serviços de apoio directo às vítimas de crime que procuram a APAV.

O apoio às vítimas de crime molda-lhe um perfil de competências sem as quais não poderá desempenhar adequadamente o seu papel.
Podem apontar-se duas vertentes de competência sem as quais, sempre em paridade, o TAVV não pode servir adequadamente a APAV: a competência pessoal e a competência técnica.
Para além de possuir estas duas competências, o TAVV deve ainda promover em si próprio a existência de condições pessoais para o desempenho da sua actividade, bem como contribuir para um saudável ambiente de trabalho, fundamental para que o labor desenvolvido atinja padrões mais elevados.

Competência Pessoal


Esta é a competência que todo o voluntário social tem que deter, sendo que dela necessita qualquer acção em prol da resolução de problemas que afectem outras pessoas. Com clareza se pode afirmar que, sem ela, nenhum voluntário social será capaz nas causas que livremente buscou para servir.
Os meios e a natureza específica de cada causa social determinam as várias dimensões que deve integrar. Na APAV, estas dimensões deverão ser, sobretudo:

• relacional: só a pessoa que gere de modo adequado as suas relações humanas, isto é, que manifesta um comportamento relacional pacífico e minimizador de conflitos para com os que lhe são próximos, reúne também capacidades para conviver com todas as pessoas que passam diariamente pelo GAV, desde a população que solicita apoio até ao/à Gestor/a e à restante equipa;

• de tolerância e respeito: o TAVV deve manifestar um comportamento não etnocêntrico, respeitando os valores e costumes culturais das vítimas sem impor os seus, desde que aqueles não colidam com as normas constitucionais ou legais vigentes;

• de autogestão emocional: de igual modo, só a pessoa que manifesta adequada gestão emocional das suas vivências é capaz para o atendimento a vítimas de crime, função de reconhecida exigência, por força das populações que recorrem ao GAV, com múltiplas problemáticas caracterizadas pelo drama e pela vulnerabilidade; estas realidades, e outras, como a exposição do TAVV a eventuais ameaças por parte de agressores de vítimas em processo de apoio, podem ser delicadas para o seu equilíbrio emocional, também dependente da vida pessoal, cuja dinâmica relacional com as ocupações profissionais é evidente, pelo que saber gerir a própria realidade emocional, o stress adicional dos trabalhos no GAV e a frustração que por vezes trazem constitui um lugar de obrigatoriedade para o TAVV;

• de vocação, disponibilidade e vontade pessoal para a Solidariedade Social: esta vocação, de natureza exclusivamente pessoal, ainda que legitimada e tornada pública nas sociedades de todos os tempos e, em particular, nas sociedades contemporâneas, é exigência visível na própria natureza jurídica da APAV: Instituição Particular de Solidariedade Social; se o TAVV não detiver intrinsecamente esta vocação, não poderá corresponder positivamente às solicitações inerentes ao seu papel, ou seja, se o princípio da Solidariedade Social não tomar lugar no seu quadro axiológico de referência, o seu trabalho será vão, desprovido do sentido de missão.

• o sentido de compromisso e responsabilidade para assumir tarefas num período mais ou menos longo no tempo: a estabilidade da equipa de TAVV é factor indispensável para o bom funcionamento dos GAV e, particularmente, para a eficácia dos processos de apoio à vítima.
Competência Técnica
A competência técnica do TAVV abrange, primacialmente, duas faces:

• académica: o TAVV que tenha concluído, ou esteja a concluir, uma formação académica, tem competência técnica na área científica da sua formação. Esta competência virá certamente a ser aprofundada ao longo do seu percurso na APAV, por força quer das solicitações resultantes dos processos que desenvolve, quer da formação que vai recebendo;

• dos procedimentos de apoio à vítima: o TAVV que tenha concluído a formação inicial sobre o apoio à vítima, que siga o Manual de Procedimentos dos Serviços de Apoio à Vítima de Crime e revele domínio sobre os pressupostos teóricos e sobre as práticas quotidianas do GAV e que respeite o Código de Conduta, tem competência técnica no âmbito do apoio à vítima.

Condições Pessoais


O TAVV, ao lidar diariamente com as problemáticas das vítimas, está exposto tanto à frustração constante - quer pela desistência das vítimas dos seus processos de apoio quer pelas dificuldades subjacentes a esse processo em termos de respostas institucionais -, como ao stress adicional.
Assim, e para responder adequadamente à frustração e ao stress, o TAVV deve reunir, além das competências acima descritas, condições que se geram na sua vida pessoal.
O TAVV deve zelar pela manutenção de óptimas condições pessoais para o cumprimento adequado das suas responsabilidades no apoio à vítima, usando estratégias simples, como:

• encarar o stress como um desafio a ser ultrapassado e não como algo incontornável que lhe controla o comportamento, isto é, ter uma atitude positiva perante o problema do stress;

• partilhar com os outros TAVV e/ou com o/a Gestor/a do GAV as suas experiências no processo de apoio à vítima, tanto no quotidiano como nas reuniões promovidas no GAV, principalmente nas de dinâmica de grupos;

• reconhecer e respeitar os limites do seu próprio corpo, assegurando períodos mínimos de descanso e relaxamento;

• reconhecer e respeitar as normas básicas de saúde, mantendo uma dieta equilibrada, não fumando e evitando o excesso de cafeína e de álcool;

• praticar desporto e/ou fazer qualquer outro tipo de exercício físico;

• investir em actividades agradáveis nos tempos livres, de gosto pessoal, como ler, conviver com amigos ou passear.

Complementarmente, o TAVV deve saber discernir quais os momentos em que, precisamente devido à inexistência dessas condições pessoais – decorrente da inadequada vivência de pressões quotidianas e/ou de problemas por si considerados graves - a sua intervenção junto de uma vítima de crime, ao invés de se revelar favorável, tem um impacto nefasto. Situações - como a fadiga no limite da exaustão, o luto, perturbações afectivas significativas ou preocupações com o estado de saúde de um ente querido, por exemplo - em que uma intensa carga emotiva aflora no comportamento do TAVV serão de considerar se se tornarem difíceis de sustentar no contexto do atendimento às vítimas e no curso habitual da totalidade do processo de apoio. Mas também o simples desgaste inerente à vida quotidiana pode ser uma condicionante temporária de relevo.